E quando você simplesmente não pode confiar 100% que “tudo vai ficar bem”? 

manual amigável de sobrevivência ao coronavírus

Por Ana Beatriz Rosa

Talvez, essa seja a primeira grande crise da nossa geração. Não só material, mas também emocional. Nunca antes lidamos com uma sensação de impotência e incerteza a níveis globais. É claro que existem outras tantas situações que nos deixam indignados: das crises ambientais às taxas de feminicídio, dos desgovernos à situação dos refugiados. Não são poucas as injustiças do mundo que, como boa aquariana, me fazem perder o sono pensando em como eu posso salvar alguém.

Mas falo do ponto de vista dos meus próprios privilégios. Todos esses dilemas citados acima, a depender de onde você mora, da cor da sua pele e da cadeira que você ocupa, podem passar quase que despercebidos. É só fechar os olhos ou terceirizar a responsabilidade: eu não sou racista; a minha funcionária é quase da família; eu faço o que posso; eu vou consumir menos; eu votei para tirar o PT; etc.

Mas e quando o objeto de nosso medo é um vírus, ou melhor, uma pandemia? E quando você simplesmente não pode confiar 100% que “tudo vai ficar bem”? 

Somos os únicos seres vivos capazes de projetar cenários futuros com tanta habilidade. Não à toa vivemos a era da ansiedade, que nada mais é do que a nossa incapacidade de lidar com o que está por vir. Em tempos de empobrecimento psíquico, tendemos a visitar todas as nossas emoções com muita intensidade. No nosso caso, o pânico.

Honestamente, quando a Chames (criadora do Perdidas) me chamou para participar deste manual, a proposta era pensar em dicas de como podemos ajudar uns aos outros em tempos de quarentena. Mas tudo o que eu consigo pensar é na metáfora da máscara de ar do avião: Não dá para cuidarmos de quem está do nosso lado se não estivermos bem.

Como sou jornalista, vivo em contato com as notícias durante 24 horas por dia, e sei que isso não me faz tão bem. Ainda me cobro muito por sentir que devo ser sempre útil à minha sociedade. 

Então, se você não está sabendo lidar com a carga emocional de tudo o que gira em torno do coronavírus, você não está sozinha. 

Em tempos como os nossos, a gente se questiona a necessidade de nossos “respiros”. Até que ponto falar de outras coisas que não a pandemia é relevante ou útil? Bom, eu sinceramente não sei. Mas o que eu sei é que, por questão de sobrevivência, a gente precisa de pausas. Tá tudo bem se a gente precisar de momentos de “alienação responsável”, senão a gente enlouquece. 

Separei aqui algumas coisinhas que têm me ocupado e me nutrido nos últimos dias:

  • Essa lista de 10 museus para visitar sem sair de casa
 
  • A newsletter do Chicas & Dicas
  • Os textos engraçados do Man Repeller (pena que é em inglês) 
  • A leitura arrebatadora de Beloved, da Toni Morrison
  • Essa dica MUITO FÁCIL de fazer tzaziki, um molhinho grego de iogurte 100% delícia
  • Esse drink sem álcool que nada mais é do que: misturar chá de hibisco, água com gás e uma rodela de laranja com bastante gelo
  • Fazer facetime com meus pais e familiares, que moram longe
  • Estar mais presente nas redes sociais (por incrível que pareça, fiz as pazes com o Instagram para poder ter os amigos mais perto) 
  • Cuidar das minhas plantas em casa e, mesmo estando de home office e tendo consciência sobre a importância do isolamento social, sair para dar uma volta rapidinha no bairro e tomar um solzinho
  • Também deixei um recado no elevador para que os idosos que moram no meu prédio possam entrar em contato comigo caso precisem de alguma ajuda com as tarefas diárias, como ir ao mercado ou à farmácia

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